Cidades da PB ‘brigam’ por água e moradores dormem em barragem para protestar. Conflito acontece entre moradores dos municípios de Salgado de São Félix e Itabaiana, no Agreste do estado

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Moradores ocupam áreas próximas à barragem

Moradores dos municípios de Salgado de São Félix (Agreste do estado, a 81 km de João Pessoa) e Itabaiana (distante 70 km da Capital) estão em conflito devido à escassez de água na região. Segundo uma fonte

Conforme o relato, um grupo de pessoas ocupou áreas próximas a mini barragem que abastece Salgado de São Félix para evitar que as comportas da represa sejam abertas, o que faria com que parte da água chegasse a Itabaiana. A população alega que abrir as comportas seria um erro, pois a mini barragem de Itabaiana está assoreada e não conseguiria represar a água.

 “Vai ser um desperdício. Na semana passada fizeram isso e ficamos cinco dias sem água em Salgado. Ontem [segunda-feira], um pessoal da Cagepa quis abrir as comportas de novo. Os funcionários vieram acompanhados da polícia, mas a população não deixou que eles abrissem”, diz a fonte.

Com medo de que os funcionários da Cagepa voltassem durante a madrugada, moradores de Salgado de São Félix acamparam nas proximidades da mini barragem e até a manhã desta terça (15) seguiam de guarda no local.

Um texto divulgado nas redes sociais convoca a população para mais uma ocupação da área. “População salgadense, compareça na barragem para impedir a Cagepa e a Aesa. Não sabemos o horário, mas eles vêm hoje. Avisem a todos. Quanto mais gente estiver por lá, melhor”, diz a mensagem.

Ao Portal Correio, o diretor presidente da Aesa, João Fernandes, disse que as reclamações apresentadas pelos moradores de Salgado de São Félix não têm fundamento.

“Salgado de São Félix só precisa de 28 litros por segundo, ao passo que Itabaiana precisa de 150 litros por segundo e a barragem recebe 380 litros por segundo. Então, está sobrando água em Salgado. A água está represando, fazendo lago e isso não é justo. O Rio Paraíba é de todos. A barragem não foi feita para Salgado de São Félix, a barragem foi feita para o povo. A população precisa entender que não vamos deixar ninguém sem água. As duas cidades têm o mesmo direito e a água é de todos”, defendeu.

Ainda conforme João Fernandes, a reivindicação parte de uma parcela da população que deseja usar a água da represa para fins proibidos. “O que acontece é que um grupo de pessoas está querendo represar a água para agricultura e carcinicultura, mas isso está proibido. A prioridade é o consumo humano, animal e urbano. E para isso temos água suficiente”, alegou o diretor-presidente.

Quanto à falta d’água em Salgado de São Félix na semana passada, João Fernandes disse que houve falha no gerenciamento das comportas. “A Cagepa tem autorização para mexer nas comportas, mas é necessária a supervisão da Aesa. O problema da semana passada é que na hora de fechar as comportas havia uma pessoa da Aesa presente, mas, na hora de abrir, não. Então, realmente, o pessoal ficou sem água. Mas isso não vai acontecer novamente”, garantiu.

O diretor-presidente da Aesa disse ainda que o conflito pode chegar ao Judiciário. “Queremos resolver isso de uma forma diplomática, na esfera administrativa, mas a justiça pode sim ser acionada. Aliás, a justiça pode interferir de ofício, por conta própria. E não há o que discutir nesse caso, o pessoal de Itabaiana precisa da água. A justiça não vai ficar contra o povo. Mas queremos muito que o povo de Salgado entenda isso e confie no nosso trabalho. Eles não vão ficar sem água. O gerenciamento será feito de forma adequada e ninguém vai sair prejudicado”, concluiu.

Portal Correio

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