De campeão a rebaixado: os cinco motivos para a queda do Fluminense. Após conquistar o tetra, Tricolor perdeu atletas importantes por venda ou lesão e patinou com três técnicos no mesmo ano

  • Bahia 1 x 1 Fluminense (38ª rodada): A luta e entrega na Fonte Nova não adiantaram de nada. Time que fechava a lista de times fora do Z4, o Coritiba bateu o São Paulo por 1 a 0 em Itu e decretou o rebaixamento do Fluminense para a Série B. (Foto: Nelson Perez/Fluminense FC)

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  • Fred descobre edema na coxa. (Foto: Gazeta Press)Os jogos-chave do rebaixamento do Fluminense

O rebaixamento do Fluminense para a Série B não passava pela cabeça de nenhum torcedor, jogador ou membro da diretoria no início da temporada. Campeão brasileiro com sobras, o Tricolor começou 2013 em busca do título da Libertadores, quase uma obsessão nas Laranjeiras desde o vice cinco anos atrás. Porém, é também enganoso afirmar que a queda pegou a todos de surpresa. Num ano repleto de erros e uma pitada de azar, o cenário no Flu só não apontou o descenso para aqueles que faziam questão de não enxergá-lo.

Abaixo, confira as falhas cometidas pelo clube que colocam o clube de volta na Segunda Divisão depois de 15 anos:

1) Falta de reformulação do elenco

A velha máxima de que bons resultados escondem as falhas de um time deu o tom do início de 2013 do Fluminense. Confiante na força do grupo tetracampeão, que tinha sua espinha dorsal atuando junta desde 2011, a diretoria trouxe apenas atletas para completar o banco de reservas: os laterais Wellington Silva e Monzón, o meia Felipe e o atacante Rhayner. Principal alvo das crîticas da torcida, a zaga não foi reforçada e as muitas formações testadas por Abel braga durante o Carioca comprovaram as dificuldades do treinador em encontrar um setor defensivo sólido. Tal situação também mostrou-se na irregular campanha do time na fase de grupos da Libertadores, garantindo sua classificação para o mata-mata somente na última rodada.

2) Lesões de jogadores importantes

Fred e Carlinhos foram apenas a ponta do iceberg do Fluminense em termos de lesão em 2013. A dupla sofreu graves problemas e perdeu boa parte de uma temporada em que sobrou trabalho para o departamento médico tricolor. As dificuldades começaram antes mesmo da bola rolar. Thiago Neves, Gum e Deco lesionaram-se ainda na pré-temporada da equipe e perderam os primeiros jogos do Tricolor no ano. Os dois últimos, aliás, estrearam somente em meados de fevereiro. Na sequência do ano, muitos outros atletas tiveram problemas sérios. Recém-contratado, Wellington Silva foi um dos que mais padeceram, tendo que lidar com três contusões sérias, que reduziram sua ação no ano a apenas 11 jogos. Do time-base tricolor, somente Diego Cavalieri, Edinho e Rafael Sóbis não passaram pelas mãos do corpo médico do Fluminense.

3) Perdas mal repostas

A necessidade de dar um alívio ao caixa do clube obrigou o Fluminense a desfazer-se de alguns atletas cruciais para o elenco na janela de transferências do meio do ano. Disposto a negociar qualquer nome, conforme o diretor de futebol Rodrigo Caetano enfatizou seguidas vezes, o Fluminense viu especulações apontarem para a saída de boa parte dos medalhões da equipe, mas, no final das contas, Wellington Nem e Thiago Neves foram os liberados, quebrando o esquema de jogo do time campeão em 2012, que tinha na dupla suas válvulas de escape pelo lado do campo. Para compensar suas saídas e também de Deco, aposentado em agosto, o Tricolor também ficou incapaticado de atuar no mercado. Com o valor da
negociação de Nem bloqueado pela Justiça, o Flu trouxe somente o atacante Marcelinho, outro com rendimento diminuído por lesão, e, no mais, apostou que a base daria conta do recado no segundo semestre, lançando nomes como Rafinha, Igor Julião, Willian e Biro Biro no time constantemente.

4) Indefinição na saída de Luxemburgo

Como todo time que vai mal na temporada, o Fluminense promoveu mudanças no comando técnico da equipe. No clube desde 2011, Abel Braga caiu após sequência de cinco derrotas em julho. Para seu lugar, veio Vanderlei Luxemburgo e o problema principal no quesito treinadores. Mal nos resultados, a despeito dos oito jogos de invencibilidade entre setembro e outubro que fizeram o torcedor sonhar com vaga na Libertadores, Luxa teve sua demissão anunciada depois de derrota por 3 a 2 para o Vitória, no Maracanã. Porém, desentendimentos entre Peter Siemsen, Rodrigo Caetano e Celso Barros fizeram o técnico ganhar sobrevida. Com mais duas derrotas, o treinador foi de fato demitido, deixando Dorival Júnior com apenas cinco jogos para tentar livrar a equipe do rebaixamento.

5) Quedas de rendimento

Se as lesões perseguiram o Fluminense em 2013, a queda de rendimento de alguns jogadores também teve papel preponderante na queda. Fora Rafael Sóbis, melhor jogador do time na temporada com sobras, boa parte do elenco tricolor baixou seu rendimento em comparação com o último ano. Autor de inúmeros milagres que garantiram muitos pontos ao clube durante a campanha do tetra, Diego Cavalieri não conseguiu manter o nível de suas atuações e chegou a viver momento de baixa quando acumulou falhas em sequências no retorno da Copa das Confederações. Outro que caiu muito foi Jean. Motorzinho do time na temporada passada, o camisa 7 ficou muito aquém neste ano, chegando inclusive a ser testado por Luxemburgo numa nova função, mais adiantado, no final de agosto. Além deles, atletas como Wagner, que chegou a destacar-se em 2013, mas perdeu fôlego na reta final, e Fred, com média de 0,3 gol por jogo no curto período em que esteve em campo, também figuram na lista.

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