Novo equipamento ajuda pessoas com alto grau de problemas de vista

Pesquisadores de duas universidades de São Paulo desenvolveram equipamentos que ajudam pessoas com alto grau de problemas de vista. A tecnologia brasileira garante um preço muito mais em conta.
Novo equipamento ajuda pessoas com alto grau de problemas de vista
Por causa de uma doença na retina, o aposentado Luiz Carlos da Silva tem 5% de visão. Há 26 anos ele tenta corrigir o problema com medicamentos e cirurgias, mas só consegue ler precariamente com a ajuda de lupas. “Nenhum tipo de óculos resolve mais”, diz ele.

Para seu Luiz e outros 5,3 milhões de brasileiros que sofrem com perda visual, a esperança está na eletrônica. Pesquisadores da USP em São Carlos e da Universidade Federal de São Paulo estão usando novas técnicas desenvolvidas no Brasil para montar aparelhos que melhoram o alcance dos olhos. Uma câmera instalada no mouse transmite o texto com aumento para o monitor. A novidade é que o paciente escolhe se o fundo é branco, preto ou colorido. Um detalhe decisivo para seu Luiz.

“Eu preciso de um fundo escuro e com letras brancas”, conta ele.

Um outro aparelho funciona como um microscópio. O livro desliza sobre a base móvel e facilita a leitura. Um parecido, importado da Alemanha, custa por volta de R$ 20 mil. O nacional, R$ 4 mil.

Mas e quando a superfície não é tão lisa quanto a de um livro, e sim curva, como a de um frasco de remédio? Os pesquisadores precisavam resolver este problema. Para isso, eles desenvolveram um aparelho portável que custa um quinto do preço. É só pôr o frasco em frente a ele e o foco automático dá conta do resto.

O aparelho custa R$ 800. O similar importado não tem ajuste de foco.

“Se produz aparelhos melhores e mais baratos fazendo o desenvolvimento no Brasil. Essa é a verdadeira questão importante: desenvolver no Brasil e fabricar no Brasil”, reforça Luís Alberto Vieira de Carvalho, pesquisador da USP/São Carlos.

Para seu Luiz, um ganho de visão e de autoestima. “É o sol. É a luz. Porque deficiente visual precisa de luz. E esse aparelho dá uma luz para a gente”, conclui.

Jornal Nacional

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